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Encontro Histórico entre Enviados de Israel e Líbano

Encontro Histórico entre Enviados de Israel e Líbano em Washington Busca Acordo de Paz. É a primeira vez, desde 1948 que o governo do Líbano se refere ao Estado de Israel por Israel e não por Entidade Sionista de ocupação. E isso é ótimo!

Em um marco diplomático inédito, enviados de Israel e do Líbano realizaram nesta terça-feira (14 de abril de 2026), em Washington, a primeira reunião direta de alto nível entre os dois países em décadas. O encontro, mediado pelo secretário de Estado americano Marco Rubio, durou cerca de duas horas e representa um passo inicial rumo a um possível acordo de paz que ponha fim a décadas de conflitos.

Principais Pontos do Encontro

– Participantes: O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, e a embaixadora do Líbano, Nada Hamadeh Moawad, reuniram-se com Rubio e outros diplomatas americanos.

– Contexto: Os dois países estão tecnicamente em estado de guerra desde 1948. Recentemente, Israel intensificou ações contra o Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, que continua bombardeando o norte de Israel — inclusive durante o início da reunião, acionando sirenes de alerta na Galileia.

– Objetivos:
– Israel prioriza o desarmamento completo do Hezbollah e a criação de uma zona-tampão no sul do Líbano.
– O Líbano busca um cessar-fogo imediato e a soberania total do Exército libanês na fronteira.

Rubio descreveu o momento como “uma oportunidade histórica” e expressou esperança de delinear um “quadro” para uma paz duradoura. Leiter, por sua vez, destacou que as partes descobriram estar “do mesmo lado da equação”: ambos querem “libertar o Líbano da ocupação do Hezbollah”, dominado pelo Irã. Ele falou em uma visão de longo prazo com fronteiras claras, comércio e até turismo entre os países.

Declarações Relevantes

– Presidente libanês Joseph Aoun: “Esta reunião pode marcar o início do fim do sofrimento do povo libanês, especialmente no sul. A solução é o Exército libanês se estabelecer até as fronteiras reconhecidas internacionalmente, sem qualquer parceria com outros atores” (referência clara ao Hezbollah).

– Ministro israelense Gideon Sa’ar: Israel busca “paz e normalização com o Estado do Líbano”, e o principal problema não é entre os dois países, mas o Hezbollah. “Nós estamos do mesmo lado que o Líbano na batalha contra o Hezbollah.

– Leiter após a reunião: “Foi tão bem quanto poderia ter sido. Vamos levar propostas para as capitais e retomar as conversas nas próximas semanas.”

– Naim Qassem: o líder do Hezbollah “exige” que o Líbano se retire das negociações. Para ele, o simples ato de reconhecer que Israel existe se tratou de uma humilhação. Morrer sim, se humilhar ou se render, jamais.

Desafios e Próximos Passos

Ainda há grande ceticismo devido às profundas diferenças: Israel descarta cessar-fogo antes do desarmamento do Hezbollah, enquanto Beirute pressiona por trégua imediata. O Líbano tem tentado se distanciar do grupo xiita e desarmá-lo, mas Israel duvida de sua capacidade real. Não foi marcado encontro de seguimento, mas ambos os lados pretendem continuar o diálogo em Washington. O Hezbollah se recusa a se desarmar, já por mais de 20 anos, desrespeitando todos os acordos anteriormente firmados.

Ministros de Relações Exteriores de 17 países (incluindo nações europeias e Austrália) emitiram nota conjunta incentivando as negociações e condenando os ataques do Hezbollah.

Por Que Isso Importa?

Este é o primeiro contato direto significativo desde os anos 1990. Com o Irã e o Hezbollah enfraquecidos pelos conflitos recentes, abre-se uma rara janela de oportunidade para uma paz que traga segurança ao norte de Israel e soberania real ao Líbano. O sucesso ainda é incerto, mas o mero fato de a reunião ter ocorrido já é histórico.

Imagem, frame da transmissão de TV oficial em Washington

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.