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Por que a destruição de radares no Golfo não afeta Israel

Por que o mapa dos radares americanos conta uma história diferente da que estamos ouvindo e Por que a destruição de radares no Golfo não Israel

Há algo estranho na forma como a imprensa ocidental — e até boa parte da israelense — vem tratando as informações que saem de Teerã. Chega a lembrar um cenário improvável: seria como se, durante a Segunda Guerra Mundial, jornais americanos reproduzissem sem filtro os comunicados da máquina de propaganda de Goebbels, originadas na Alemanha Nazista. Uma explicação possível é estrutural: o Irã opera três agências de notícias estatais, apenas disfarçadas de independentes, os árabes palestinos operam uma, enquanto Israel e os Estados Unidos não têm equivalente — por lá, a imprensa é privada, pertence a acionistas, não ao governo.

O Irã, oficialmente, publicou que estava atacando os países muçulmanos sunitas do Golfo porque “eles protegem Israel com seus radares”…

O mapa deste artigo, embora ilustrativo, ajuda a expor o problema. As posições de radar nos países sunitas do Golfo pouco têm a ver com a rota real usada pelos mísseis iranianos contra Israel. Desde o último conflito, os lançamentos partem do noroeste do Irã, não do centro nem do sudoeste — e seguem por cima da Síria, cujo espaço aéreo o próprio governo sírio não monitora. Os drones fizeram o mesmo caminho: não à toa, o território sírio virou uma espécie de cemitério aéreo, com destroços de mais de 1.300 aparelhos já contabilizados, fato que chegou a ser noticiado meses atrás.

A tentativa iraniana de atingir Dimona com três mísseis seguiu exatamente essa rota nordeste (em relação a Israel): um caiu na Jordânia, outro no deserto da Judeia, o terceiro numa cidade próxima ao alvo. Todos com impactos dezenas de km antes do alvo

Nesse cenário, os radares que realmente importam para o alerta antecipado ficam no norte da Jordânia — onde há uma base americana na fronteira — e no norte de Israel. O que raramente aparece nas notícias é que boa parte dos radares em jogo, dos dois lados do conflito, é móvel: perder uma unidade não significa perder cobertura, apenas reposicionar outra.

Também fica de fora da cobertura o papel dos aviões AWACS — os radares voadores de alerta antecipado que sobrevoam o Golfo Pérsico diariamente, “enxergando” de cima tudo o que decola em território iraniano. Some-se a isso pelo menos um satélite americano estacionado sobre o Irã, equipado com inteligência artificial dedicada a localizar lançadores de mísseis e marcá-los como alvo assim que disparam.

Os radares instalados nos países do Golfo continuam relevantes — mas para a defesa desses próprios países. Já faz tempo que os lançamentos contra Israel não passam mais por ali.

Aumento da precisão de mísseis e drones iranianos é verdadeira?

Em parte sim e em parte não. Os drones Shahed sempre foram armas de excelência; não podemos deixar de falar a verdade. Mas eles vão direto aos alvos e não são manobráveis. Seus modelos fabricados pela Rússia, com o nome de Geran, inclusive o novo modelo a jato com velocidade de 350 km/h contra 180 km/h do modelo a hélice tradicional, são guiados pela internet por meio do sistema Rassvet, semelhante ao Starlink. Em março foram lançados 16 satélites; um não funcionou. No final de junho, o segundo lançamento falhou e o foguete explodiu. Na semana passada, o terceiro lançamento colocou mais 16 satélites em órbita, chegando ao total de 40. Hoje a Stalink tem 10.003 satélites em órbita. Sabemos que o número é inacreditável, todavia verdadeiro.

Os drones, cópias aperfeiçoadas do Shahed, tanto o modelo ucraniano quanto o americano, chamado Lucas, são pilotados por meio da internet pelo Starlink. Apenas o Irã, que criou esta arma, ainda não tem esta capacidade, mas é possível que a Rússia a forneça, ainda mais se os novos satélites do Rassyet estiverem posicionados sobre o Oriente Médio.

Todos os lados do conflito já possuem uma mera plaquinha de hardware que contorna o problema de interferência do sinal de GPS. Portanto, uma melhor localização dos impactos pelos iranianos deve estar associada, primeiro, ao uso deste hardware que inutiliza o bloqueio de GPS e, em segundo lugar, ao provável desenvolvimento pela China ou pela Rússia de uma capacidade que só os EUA tinham: um algoritmo ou análise por agente de IA específico (o mais provável) para a obtenção da coordenada de GPS exata de um alvo por meio de uma foto de satélite.

Os impactos de drones Shahed em instalações americanas, exatamente no meio dos telhados dos alvos, indicam esta capacidade.

Não se esqueça

Em relação à precisão dos mísseis balísticos iranianos, há anos dizemos que eles são melhores que os russos. O fato de Israel ter abatido mais de mil deles, somando todos os ataques iranianos até hoje, significa que estes mais de mil iriam atingir alvos e, por isso, foram abatidos. Os que não vão atingir alvos não são atacados. É simples assim.

Então, fica impossível saber se a precisão dos mísseis melhorou ou a taxa de abate piorou nesta fase da guerra. O que é possível saber é que a mídia xiita e pró-xiita, desde os primeiros ataques iranianos contra Israel, divulga como “impactos diretos” as quedas de mísseis com explosões em áreas abertas, sejam em Israel, Jordânia ou qualquer outro país. Na propaganda de guerra, Jihad Verbal, um erro, um fora do alvo completamente, é mostrado como acerto perfeito.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem produzida pelo autor

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.