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Dois incidentes seguidos onde armas de seguranças israelenses foram pegas por palestinos

Desde sábado dois incidentes seguidos onde armas de seguranças israelenses foram pegas por palestinos confundiram um pouco o noticiário. Ao final deste artigo vamos falar especificamente sobre a “má atuação em campo” dos israelenses armados.

Confusão perto de Susya termina com israelense ferido por pedrada

Um sábado de tensão no sul da Cisjordânia: um confronto entre israelenses e palestinos numa fazenda de um assentamento perto de Susya deixou um jovem de 25 anos com ferimentos moderados na cabeça, atingido por uma pedra. Ele foi socorrido pelo Magen David Adom e levado ao hospital.

Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), a confusão começou com uma troca de pedradas entre os dois lados. No meio do tumulto, um palestino chegou a arrancar o fuzil de um soldado israelense que estava de folga — e disparou para o ar, sem que ninguém se ferisse com o tiro. Depois, ao fugir, ele largou a arma, que os militares recuperaram pouco depois (na foto abaixo). O exército montou bloqueios na região e segue à procura do homem.

Fuzil abandonado no segundo incidente.

O episódio aconteceu um dia depois de um confronto bem mais grave perto de Nablus, que terminou com quatro palestinos e dois israelenses mortos. Naquele caso, um grupo de colonos — incluindo menores acompanhados de adultos armados — entrou na aldeia de Tell dizendo estar em uma “caminhada”, visita que o exército depois classificou como não autorizada. A tentativa dos moradores locais de barrar o grupo terminou em tiroteio, com mortes dos dois lados.

Ao tentar intimidar os palestinos, os israelenses armados chegaram próximos a eles com os fuzis retirados da posição cruzada onde a bandoleira (a faixa de tecido grosso para levar o fuzil no ombro ou junto ao corpo), foi agarrada por palestinos.

Neste sábado, cerca de 20 colonos voltaram a entrar em Tell, novamente sem coordenação com as autoridades militares — mas, desta vez, sem que houvesse novos confrontos. O palestino que então executou a queima roupa dois israelenses, foi posteriormente morto, , junto com três de seus irmão, resistindo à prisão e disparando contra soldados das FDI sem ferir ninguém. O Hamas elogiou muito os “quatro mártires” e alegou que pertenciam a facção na Judeia e Samaria (não confirmado).

Na sequência da violência de sexta-feira, tropas israelenses realizaram batidas em diversas cidades e vilas palestinas durante a madrugada, prendendo dezenas de pessoas. Segundo o prefeito árabe de Tell, cerca de 70 moradores foram detidos e interrogados num centro montado numa casa da própria vila; o exército confirmou a operação, citando 11 procurados detidos e outros 80 interrogados.

Moradores relataram ainda buscas dentro de um hospital em Nablus, com dezenas de soldados revistando pacientes e funcionários — episódio narrado com indignação pelo diretor da unidade. Evidentemente há uma indignação completa quando soldados judeus fazem buscas dentro de um hospital muçulmano e indignação nenhuma quando soldados muçulmanos xiitas executam centenas, talvez milhares de civis muçulmanos xiitas, inclusive enfermeiras e médicos, em hospitais muçulmanos no Irã. Judeus procurarem terroristas muçulmanos dentro de um hospital é crime, muçulmanos matarem muçulmanos dentro de um hospital é apenas mais uma quinta-feira normal.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu resposta “contundente” ao ataque de sexta-feira, incluindo a demolição da casa da família de um dos envolvidos e a aceleração da construção de novos assentamentos na região. Na mesma noite, ativistas colonos ergueram quatro postos avançados irregulares na área — alguns, segundo rádio local, dentro de território sob controle civil palestino, o que os tornaria ilegais mesmo pela legislação israelense.

Também na madrugada de sábado, colonos teriam atirado contra veículos numa aldeia perto de Belém, bloqueado a estrada principal e incendiado um carro, segundo a agência palestina WAFA.

O pano de fundo é uma escalada de violência na Cisjordânia desde o ataque do Hamas em outubro de 2023. 68 civis israelenses e integrantes das forças de segurança perderam a vida, na Judeia e Samaria, desde 7 de outubro 2023. Ataques de colonos extremistas também dispararam: a IDF registrou 867 incidentes desse tipo em 2025, contra 682 no ano anterior.

Com dados de reportagem do Times of Israel (25 de julho de 2026).

Onde estão os erros?

Como o Ronaldo vem falando muito dos judeus se capacitarem para se defender, vamos a uma aulinha. eu fui formado instrutor sobre uso de baioneta e fuzil para ataque e defesa no Exército Brasileiro, no século passado.

Desde o sequestro de Guilad Shalit, artilheiro de um tanque Merkava que ao invés de atirar em terrorista dos Hamas preferiu se entregar sem luta já vimos muitos erros de procedimento de soldados das FDI, quase sempre resultando em fatalidades no nosso lado. Este não foi diferente.

Os fuzis, dentro do conceito ocidental são usados com bandoleiras atravessadas as costas. São modelos específicos que permitem apontar e disparar com a arma presa às costas. No conceito árabe, a bandoleira não é utilizada, os fuzis não as têm. Este tipo de bandoleira é um dispositivo de SEGURANÇA e não de conforto. Se o fuzil for puxado de um soldado quem tentar não vai conseguir, pois está preso ao corpo do soldado. Coisa do treinamento contemporâneo mais básico que pode existir.

Esse tipo de bandoleira ajuda em outras situações. Se o soldado cair, não perde o fuzil. Se for projetado por uma explosão, não perde o fuzil. Portanto, o fuzil com bandoleira não PODEM SER RETIRADOS DO CORPO, a não ser se a situação o exigir.

Existe vídeo longo do que aconteceu na sexta-feira. Havia, pelo menos quatro judeus armados com fuzis, junto com o grupo que estava fazendo a caminhada “não autorizada”. Um deles, estava com uniforme completo das FDI, inclusive com capacete. Não foi esclarecido se ele estava usando o uniforme ilegalmente, mas parece que sim.

Após os palestinos jogarem pedras nos judeus, três dos armados foram em direção a eles, o fardado ficou atrás dando cobertura. Começa uma discussão entre judeus e árabes. Em dado momento, dois dos civis armados retiram a bandoleira das costas para aproximar os fuzis dos palestinos, aumentando a intimidação. Ação que INEXISTE em qualquer manual militar ou policial. E é por isso que escolhi aquele frame do vídeo no momento em que um deles está retirando o fuzil das costas, para abrir este artigo. Sem ver, ninguém iria acreditar. Note que dá para ver que tinha uma pistola também do lado direito da cintura. O outro é o que está de camisa longa cinza. De frente para eles com uma veste cinza e takia branca, o árabe muçulmano sunita que os iria assassinar cerca de 20 segundos depois.

Imediatamente, dois palestinos agarram as bandoleiras dos fuzis e começam a puxa, rapidamente se apoderando das armas e em seguida disparando e matando os dois seguranças judeus! Tudo filmado.

E os outros dois? E o fardado? NADA FIZERAM!!! Não dispararam um só tiro para defender seus colegas. Uma notícia na mídia declarou que um deles, não sabemos qual, se justificou alegam que tinha “pouca munição”… Então ao invés de salvar a vida de seus companheiros preferiu economizar dois cartuchos?

Os mortos não eram inexperientes. Um deles era o master-sargeant, Benayahu Mellet, 32 (com capacete) e o outro um major, Yuval Ezra, 27! Não eram recrutas! Seus erros de procedimentos básicos lhes custaram suas vidas. Que suas almas estejam em paz.

O que fazer numa situação destas?

1) Afastar-se da turba e não avançar contra ela. Não são policiais que precisam prender suspeitos ou criminosos.

2) Jamais tirar fuzil e bandoleira das costas, jamais esticar o braço com uma pistola até o alcance das mãos do inimigo.

3) Num caso de se ver envolvido por uma turba ou manifestantes, proteger a arma, pois alguém vai tentar tirá-la de você.

4) Lembram-se de que existiam baionetas para fuzis? Ensinava-se ataque e defesa com baioneta e os outros golpes que podem ser dados com um fuzil. Parece que aqueles dois não sabiam disso. Mesmo que não se use mais baionetas, numa situação em que o fuzil estiver sendo puxado por um inimigo à sua frente, é o contrário do item 1: avance com força contra o inimigo, dando uma forte pancada com o cano do fuzil, preferencialmente no esterno ou nas costelas — ninguém fica em pé depois disso! Se eles tivessem feito isso, em vez de tentar puxar os fuzis de volta, estariam vivos.

5) Se o fuzil estivesse sendo empunhado corretamente, quando o inimigo puxasse a bandoleira, bastava dar um disparo contra ele. É luta de vida ou morte.

6) Não conseguimos entender por que os grupos de segurança na Judeia e Samaria não são equipados também com equipamentos não letais. Esta situação, que custou a vida de seis pessoas, sendo que os quatro árabes assassinos de fato não importam, poderia ter sido resolvida em instantes com um spray policial de pimenta. Simples assim.

Eu não acredito em “aprender com os erros”, mas em ensinar o correto a fazer analisando erros.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagens retiradas dos vídeos publicados nas mídias sociais sobre o incidente fatal e fotos de divulgação das FDI.


José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.