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Socialistas americanos proíbem apoiar Israel

No meu grupo da escola, recebi uma mensagem longa de uma israelense, que está viralizando. Começa assim: “Nos últimos dois anos, Israel e os israelenses foram odiados. Nos confundiram com o governo extremista…” e por aí vai.

Então, a ação atual da esquerda judaica radical já está deflagrada: o antissemitismo é culpa dos judeus extremistas! Simples assim. Não é culpa dos descendentes de católicos, luteranos, batistas e evangélicos que aderiram ao marxismo. Não é culpa dos muçulmanos radicais. Não é culpa dos ateus antirreligiosos.

A retórica de que a culpa pelo fato de os judeus terem que ser mortos é dos judeus (porque eles existem) é um dos conceitos mais enraizados do antissemitismo católico da Idade Média. Quando vejo uma judia israelense escrevendo isso (certamente sem saber que não é uma ideia genial dela), vejo mais uma comprovação de como foi e é vitorioso, até hoje, o antissemitismo católico, cristão ortodoxo russo e luterano, mesmo que nos casos 1 e 3 já tenham sido renegados oficialmente pelas lideranças das respectivas igrejas. Eu não gosto de chamar de “antissemitismo” tudo o que aconteceu contra os judeus antes da criação do termo, por um alemão antissemita, em 1879, pelo jornalista alemão que abertamente odiava os judeus, Wilhelm Marr, mas não encontrei outra forma de descrever.

O termo “antissemitismo” veio de fora para dentro; foram os antissemitas que o criaram, com orgulho, e não os judeus. Até 1879, na Alemanha, o termo utilizado era “Judenhass”, ódio aos judeus, simples assim e muito mais direto e efetivo. O que Marr fez foi suavizar o termo!

Entendam: na Idade Média ou nos países islâmicos até final do século 19, a posição oficial contra os judeus, as proibições diversas contra os judeus, a obrigatoriedade de usar chapéus, roupas, símbolos costurados à roupa diferentes de todas as outras pessoas para serem imediatamente identificados como judeus nas ruas era lei, era agenda de estado, era causa positiva da sociedade.

Talvez o exemplo mais bizarro disto seja a lei da Veneza Católica, na Idade Média, ainda antes da constituição do gueto de Veneza (área de residência obrigatória e exclusiva para os judeus daquela cidade), de as mulheres judias só poderem sair às ruas com um dos pés de sapatos preto e outro vermelho.

O ódio irracional aos judeus permanece vivo. Não há decreto Papal que o extinga (mesmo tendo sido efetivado no Concílio Vaticano Segundo – 1963-1964), principalmente agora, quando as massas de esquerda radical são opositoras igualmente das Igrejas que não têm mando algum sobre o populacho.

O ódio enraizado aos judeus, que ficou camuflado por 78 anos, três gerações, desde o final da Segunda Guerra Mundial, por vergonha, por receio, agora é uma virtude do militante marxista de rua, agora é uma causa justa a ser defendida pelos militantes marxistas fantasiados de muçulmanos árabes com kfias e bandeiras da Palestina lutando contra o capitalismo e contra a existência das polícias (de forma absolutamente aberta, mas não noticiada pela grande mídia, que edita e não publica as faixas e cartazes que mostram isso, mesmo que as fotos estejam à venda nas agências de notícias).

Hoje mesmo, O Antagonista publicou a seguinte notícia curta:

Maior organização socialista dos EUA oficializa expulsão de quem apoia Israel.

Organização de extrema-esquerda aprova regra que proíbe declarações pró-Israel e reacende acusações de antissemitismo após atos pró-Hamas. A maior organização socialista dos Estados Unidos aprovou uma regra que permite expulsar qualquer membro que defenda Israel. A decisão foi tomada durante a convenção nacional dos Socialistas Democráticos da América.

A maior organização socialista dos Estados Unidos aprovou uma regra que permite expulsar qualquer membro que defenda Israel.

A decisão foi tomada durante a convenção nacional dos Socialistas Democráticos da América.

O texto foi aprovado por 56% dos delegados e proíbe dizer que “Israel tem direito de se defender” ou criticar o movimento de boicote BDS.

A resolução transforma o apoio a Israel em violação grave das normas internas e reafirma a adesão ao boicote econômico e cultural contra o país.

Também declara solidariedade à “resistência palestina”, termo usado por grupos como o Hamas. Segundo o documento, qualquer apoio financeiro ou político a Israel é incompatível com a militância socialista.

A radicalização do grupo ganhou destaque após o massacre de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas matou mais de 1.200 israelenses inocentes.

No dia seguinte, o capítulo de Nova York organizou um comício pró-Palestina na Times Square.

Vídeos mostram manifestantes rasgando bandeiras israelenses, fazendo gestos de degola e exibindo suásticas.

Nenhum dirigente condenou o Hamas. A direção nacional divulgou nota atribuindo a violência ao “regime de apartheid israelense”.

— fim do artigo de O Antagonista

Ou seja, o “Socialismo Democrático”, por “lei interna aprovada democraticamente por maioria simples”, determinou o que seus membros são “democraticamente proibidos de falar ou apoiar”. A democracia pela visão socialista é isso mesmo: controlar as narrativas e proibir que seus opositores se expressem. Não tem novidade alguma nisso desde o final do ano de 1917.

Já está confirmado que os Socialistas Democráticos da América pediram a autorização à prefeitura de Nova Iorque, para a manifestação pró-Hamas e anti-Israel de 8 de outubro de 2023, na tarde do dia 7 de outubro, quando mal se sabia o que tinha acontecido em Israel. E eles já apoiavam o ataque, o massacre, do Rio ao Mar e por aí vai.

Já não é mais nem o “ódio do bem”. É apenas o ódio. E não vamos conseguir ler, em lugar nenhum, qualquer explicação dos marxistas ou trotskistas de por que eles apoiam um grupo como o Hamas, que é contrário a todas as agendas libertárias da esquerda, é antifeminista, é anti-LGBT e é absolutamente capitalista.

A Socialistas Democráticos da América se afirma como a maior organização socialista dos Estados Unidos, com 80.000 membros e sedes em 50 estados. 80 mil membros… 0,02% da população norte-americana…

por José Roitberg – jornalista e pesquisador

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.