Polícia arquiva caso de casal detido sob suspeita de espionagem para o Irã
Pela primeira vez, polícia israelense arquiva caso de casal detido sob suspeita de espionagem para o Irã.
Investigação contra Doria Achiel e Yuvda Israilov, de Ra’anana, é encerrada após três meses sem explicações; advogado diz que faltaram provas suficientes.
A polícia israelense anunciou nesta segunda-feira (20) o arquivamento do caso de espionagem contra Doria Achiel e Yuvda Israilov, um jovem casal de Ra’anana preso em julho sob suspeita de atuar em nome do Irã.
É a primeira vez que as autoridades interrompem uma investigação desse tipo envolvendo israelenses acusados de espionar para a República Islâmica — um fenômeno que tem crescido e desafiado as forças de segurança nos últimos dois anos.
A polícia não informou os motivos do arquivamento, mas o advogado de defesa, Nir David, afirmou que a decisão se deveu à falta de provas suficientes.
Achiel e Israilov eram suspeitos de “passar informações que poderiam prejudicar a segurança nacional”, manter contato com agente estrangeiro, conspiração para cometer crime e posse de drogas — mas nenhuma acusação formal foi apresentada.
- “Eles foram interrogados pelos crimes mais graves previstos no Código Penal israelense”, disse David ao The Times of Israel. “Desde a primeira audiência, eu gritava para quem quisesse ouvir que eles não tinham nenhuma ligação com o caso.”
Os dois foram presos em casa, em Ra’anana, por ordem do Shin Bet (serviço de segurança interna). Policiais invadiram o apartamento, apreenderam celulares e computadores que, segundo as autoridades, continham mensagens trocadas com supostos controladores iranianos.
- “Chegaram de manhã cedo, uns 15 detetives e policiais, reviraram a casa inteira, arrombaram a porta, algemaram com abraçadeiras de plástico e vendaram os olhos — tudo à toa”, relatou o advogado.
O casal negou todas as acusações desde o início. Ficaram uma semana na cadeia após a prisão. Quando a polícia pediu nova prorrogação da detenção, o Tribunal de Primeira Instância de Petah Tikvah os liberou para sete dias de prisão domiciliar.
David alegou que as autoridades nunca foram claras sobre as suspeitas reais contra seus clientes.
Em julho, Doria falou à imprensa hebraica que a polícia tentou usar fotos de pichações que ela tirou com o celular como prova de culpa.
Muitos espiões recrutados pelo Irã começam com tarefas simples, como pichar mensagens anti-governo ou pró-Irã e enviar fotos aos controladores. Aos poucos, as missões evoluem para coleta de inteligência e até planos de assassinato.
Achiel, porém, negou qualquer relação com a República Islâmica:
- “Acordei uma manhã, vi uma pichação embaixo de casa e tirei foto. É material irrelevante que eles juntaram para engrossar um caso que não conseguiram provar”, disse à i24 News na época.
Nos últimos dois anos, dezenas de israelenses foram presos e indiciados por suspeita de espionagem para Teerã após contato com agentes iranianos via redes sociais.
Até agora, apenas um foi condenado — a maioria dos casos ainda tramita na Justiça.
OBS Merorah: apesar de mídias em Israel estarem publicando a foto do casal, consideramos incorreta esta atitude pois não foram indiciados, ou seja, são considerados inocentes.
