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Zohran Mamdani não recua e dobra a aposta no vídeo do Dia da Nakba

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, resolveu manter sua linha tradicional depois que postou um vídeo sobre o Dia da Nakba e recebeu uma onda de críticas de organizações judaicas.

Na sexta-feira, a prefeitura divulgou um vídeo com uma palestina que se apresenta como sobrevivente da Nakba. Ela conta que a “catástrofe” (Nakba, em árabe) que começou com a criação de Israel em 1948 continua até hoje. O vídeo gerou polêmica rapidinho.

Para muita gente, a Nakba lembra o deslocamento de centenas de milhares de palestinos durante a Guerra de Independência de Israel. O problema é que a narrativa costuma vir só de um lado e, para muitos judeus, o tal “direito de retorno” de milhões de descendentes soa como uma forma de acabar com Israel como Estado judeu.

Líderes judaicos de Nova York já tinham condenado o vídeo por ser unilateral. Agora, grandes organizações nacionais entraram na dança:

– O American Jewish Committee disse que o prefeito, ao compartilhar um conteúdo tão enviesado, acabou “alimentando danos reais” — especialmente num momento em que judeus estão sendo atacados nas ruas por causa de narrativas antissionistas.
– A ADL (Liga Anti-Difamação) chamou o vídeo de “propaganda” e provocação, ainda mais por ter sido solto logo antes do Shabat. Lembrou que nas marchas do Dia da Nakba na cidade apareceram bandeiras do Hamas e do Hezbollah, inclusive com crianças no meio.

Mamdani, em coletiva de imprensa, dobrou a aposta. Disse que tinha muito orgulho de ter marcado o dia 15 de maio, que lembra a expulsão de mais de 700 mil palestinos (ele trocou um pouquinho as datas, disse que foi entre “1947 e 1945”). Explicou que o foco era só ouvir a história de uma nova-iorquina, as memórias dela de ter sido expulsa e como reconstruiu a vida na cidade. Contou ainda que ia aparecer no vídeo, mas ficou doente e preferiu não complicar as coisas para ela.

Sobre as organizações judaicas que boicotaram um evento que ele vai promover hoje (Mês do Patrimônio Judaico Americano + Shavuot), ele mandou um recado diplomático: “Minha porta está sempre aberta”.

Resumo da ópera: o prefeito quis dar visibilidade a um lado da história, mas acabou esbarrando num tema que ainda ferve e divide muito. E, pelo visto, não pretende voltar atrás. Ele tem orgulho de uma de suas afirmações de que “não existe lugar neste planeta para um Estado Judeu”.

A Verdadeira Nakba

De fato, os árabes escolheram o termo Nakba por ser a palavra para “catástrofe”, Shoá, em hebraico. Sim, definem que é Holocausto deles.

Mas não aconteceu expulsão generalizada de árabes em Israel durante a Guerra da Independência (1948-1949). Houve, sim, uma expulsão localizada em Haifa, não de toda a comunidade árabe, mas de árabes que se colocaram ao lado das tropas invasoras da Jordânia e Egito.

Na narrativa “palestina”, fica parecendo que, ao declarar a independência, Ben Gurion arrastou 700.000 palestinos para fora de lá. Mas vejamos os fatos históricos. Em 1947, quando aconteceu a Partilha da Palestina, a ONU deu um prazo de 6 meses para as populações se deslocarem para o estado de que pretendessem ser cidadãos. Na narrativa “palestina”, os árabes que se deslocaram voluntariamente para o que deveria ter sido o Estado Palestino são “refugiados expulsos”.

No dia 15 de maio, Israel declarou a independência e, no dia 16, foi atacado com a intenção de ser removido do mapa e de todos os judeus serem afogados no Mediterrâneo. A rádio do Cairo alertava para os árabes ABANDONAREM SUAS CASAS e SAÍREM DO CAMINHO DAS TROPAS, para os soldados poderem matar todos os judeus que encontrassem pela frente. Após a vitória, retornariam para seus lares, num Estado Árabe.

O resultado disso foi muita gente indo embora, principalmente para a Judeia e Samaria. Menos de uma semana depois, a Judeia e Samaria estavam sob domínio da Jordânia. Então, os árabes que saíram voluntariamente de suas casas, instados pelos muçulmanos sunitas do Egito, rapidamente se encontraram num estado muçulmano sunita, na “Cisjordânia”, e estes, a narrativa “palestina” denomina de refugiados.

A verdadeira Nakba, tragédia, foi o Egito não ter conseguido destruir o Estado de Israel e os árabes que o Cairo mandou abandonar casas e fugirem não puderam retornar. Não foram, em momento algum, expulsos por tropas de Israel: apenas seguiram ordens do Egito, que, inclusive, ocupou a Faixa de Gaza.

A Nakba é uma narrativa 100% falsa que o ideário marxista adotou como verdadeira.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem: esta é uma das 5 ou 6 fotos utilizadas para mostrar a “expulsão de 700.000 palestinos”. São 12 árabes, andando por uma estradinha. O que esta foto tem em comum com as outras é que nenhuma delas mostra soldados israelenses expulsando árabes, porque isso simplesmente não aconteceu.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.