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FDI enfrentam dificuldade para controlar publicações de soldados nas redes sociais

As Forças de Defesa de Israel (FDI) continuam lidando com um fluxo constante de fotos e vídeos postados por soldados que mostram condutas inadequadas, o que gera críticas internacionais e riscos à segurança das operações.

Exemplos recentes incluem um soldado pretensamente destruindo uma estátua de Jesus com um machado no sul do Líbano em abril e, semanas depois, outro caso em que soldados colocaram um cigarro na boca de uma estátua da Virgem Maria na mesma região. Ambos os registros foram feitos e compartilhados pelos próprios soldados nas redes.

Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, muitos soldados levaram celulares para o campo de batalha e registraram ações como queimar livros, vandalizar propriedades, disparar de forma indiscriminada e posar com itens pessoais encontrados em casas palestinas. Esses conteúdos são rapidamente usados por críticos de Israel para questionar o comportamento das tropas e manchar a imagem do Exército.

É preciso que o leitor tenha consciência de que o efetivo das FDI não é composto apenas por soldados judeus. Existem, entre ativa e reserva, 8.000 soldados drusos (85% dos homens drusos se alistam), 2.000 beduínos muçulmanos sunitas (60% dos homens beduínos se alistam), cerca de 800 árabes cristãos, algumas dezenas de árabes muçulmanos não beduínos, algumas dezenas de circassianos, e um número que não é tornado público de russos que vieram com a alliah, e não eram e não são judeus. A Agência Judaica estima que 30% dos imigrantes russos não eram judeus de forma alguma. Por isso, atribuir as ações irregulares de soldados das FDI apenas a judeus pode não estar correto.

Somando todos, a estimativa é que de existem 15.000 militares não judeus nas FDI entre ativos e reservistas, em torno de 5% do total.

O chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, reforçou que o uso de redes sociais para divulgar mensagens controversas ou para autopromoção é uma linha vermelha. O Exército afirma que tem reforçado a disciplina ética e o controle nas redes, inclusive com ferramentas como um sistema de IA chamado Morpheus para monitorar contas públicas de soldados.

Segundo porta-voz da IDF, o número de publicações problemáticas diminuiu ao longo do conflito, graças ao reforço contínuo das orientações. No entanto, especialistas como Eran Shamir-Borer, do Instituto Israelense de Democracia, consideram as medidas ainda insuficientes e apontam uma erosão maior nos valores e na disciplina, especialmente entre reservistas.

Além do dano à reputação, as imagens com rostos identificáveis têm sido usadas para expor soldados individualmente, facilitando tentativas de processos judiciais no exterior e assédio online.

O Exército mantém que investiga os casos, aplica punições disciplinares e espera que todos os soldados sigam o código de ética, que inclui o respeito à dignidade humana e o uso proporcional da força. Ainda assim, o problema persiste e exige atenção constante.

Recentemente, e está na foto deste artigo, um soldado foi punido com 30 dias de prisão, pena maior do que a do soldado no caso do crucifixo católico ortodoxo, porque estava usando um emblema de ombro com a “coroa” do Messias, usado para desejar a chegada do Messias. Em princípio pode parecer uma descriminação interna contra um setor religioso judaico, mas é apenas uma violação de regulamento: é proibido fixar emblemas não oficias das FDI nos uniformes. Imagina se pudessem colocar qualquer coisa com velcro, o que aconteceria.

O que é mais estranho neste último caso é que o “patch” do Mashiach não é novo. A foto deste post mostra um capitão em dezembro de 2023, utilizando um deles, irregularmente. Se você for procurar vai ver outro modelo com o dístico Mashiach em hebraico e uma imagem gráfica simples do Templo, patchs da “Grande Israel”, o que é uma estupidez completa, patchs da “força judaica” do falecido rabino Meir Kahane, e outros, inclusive humorísticos. É ilegal. Em princípio um sargento ou oficial subalterno deveria mandar remover imediatamente. No caso do capitão na foto, ele é quem deveria mandar os soldados removerem, mas é ele que usa. Então a situação não é simples. Eu imagino que a pena de 30 dias, tenha sido por reincidência.

O que é o Morpheus?

O Sistema Morpheus é uma ferramenta de inteligência artificial (IA) usada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF).

Seu principal objetivo é monitorar as publicações de soldados nas redes sociais para evitar vazamentos de informações sensíveis de segurança.

Como funciona:

  • Ele escaneia em tempo real textos, fotos e vídeos postados em contas públicas de soldados em serviço ativo (aproximadamente 170 mil contas).
  • A IA identifica conteúdos que podem revelar dados como:
    • Localização de bases militares
    • Armas ou equipamentos classificados
    • Movimentos de tropas
    • Outras informações operacionais
  • Quando detecta algo problemático, o sistema envia uma notificação automática ao soldado pedindo para apagar o post. Em casos mais graves, um oficial de segurança pode ligar para ele.

Detalhes importantes:

  • Foi desenvolvido internamente pela IDF.
  • Passou por um período de testes (piloto) monitorando 45 mil contas, onde foram identificados milhares de posts que precisaram ser removidos.
  • Começou a ser implementado a partir de dezembro de 2025.
  • Limitações: Só funciona em contas públicas (não acessa perfis privados) e não monitora reservistas (por questões legais de privacidade).

O sistema surgiu principalmente após o início da guerra em Gaza, devido ao grande número de soldados que postavam conteúdos do campo de batalha, o que gerou riscos de inteligência a favor do Hamas e outros grupos.

Em resumo: Morpheus é uma espécie de “guarda digital” automático que ajuda a IDF a controlar o que seus soldados compartilham online.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem, foto das mídias sociais, destas que o Morpheus deveria identificar e remover, mas de 21/dez/2023, dois anos antes do sistema de IA existir.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.