Lag Baomer com restrições no Monte Meron
Devido ao estado de não cessar-fogo com o Hezbollah, o governo israelense decidiu restringir os eventos com pessoas ao ar livre no norte de Israel a um público de 1.500. Isso vai impactar diretamente a peregrinação hassídica ao túmulo do rabino Shimon bar Yohai, no Monte Meron, durante a festa de Lag Baomer, que se inicia no anoitecer de segunda-feira, dia 4 de maio, e avança durante o dia 5.
Em 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19 e as questões necessárias de afastamento social, a polícia de Israel, para tentar não criar muita confusão, limitou a presença a 10.000 pessoas. Mas os hareidim compareceram com 100.000 pessoas, desrespeitando a determinação legal e não respeitando os poucos policiais que lá estavam. Milhares de crianças entre eles. Em dado momento, parte de uma arquibancada no centro do evento ruiu e 100 pessoas caíram de uma altura máxima de 8 metros. Assustados com o barulho que pareceu uma explosão, uma onda de pânico se irradiou a partir do centro do evento, cujos acessos eram ruins e estreitos, sem qualquer tipo de saída de emergência. No total, 45 pessoas morreram, cerca de 10 da queda da arquibancada e as outras pisoteadas. O número de feridos passou de 100.
Agora há uma nova ordem para um número 9 vezes MENOR de participantes e é pouco provável que este público coopere. Precisamos entender a questão do lado deles, dos hassidim (místicos ortodoxos). A peregrinação é mística e não física. Bar Yohai de Adonai os protegem. Os que morreram em 2021 foram punidos por Adonai pelo que praticaram anteriormente: 45 punidos e 99.965 não punidos. É assim que eles veem.
Há risco real no Meron?
Taticamente, podemos afirmar que não para um ataque vindo do Líbano neste momento. Para um drone que decole de dentro de Israel (coisa que ainda não aconteceu), seria um alvo muito fácil, dramático e simbólico.
O local do túmulo, central ao evento, fica a exatos 8.700 metros da fronteira do Líbano, mais ou menos a distância de carro do Leme ao Leblon, no Rio de Janeiro. É muito perto. Mas fica num planalto na contra encosta do Meron, ou seja, no lado da montanha voltado para Israel. Mesmo se não houvesse a Zona Avançada de Segurança se estendendo por 10 km Líbano adentro, seria muito difícil disparar foguetes para atingir “o outro lado da montanha”. Não impossível. Tarefa para morteiros que não possuem este alcance. Os Grad têm alcance de 11,5 km e estão hoje afastados a mais 20 km do Meron.
A desgraça, com um grande público, pode acontecer simplesmente devido a sirenes de alerta, porque algo, foguetes ou drone, foi lançado naquela direção, mesmo que seja impossível atingir aquele alvo ou que o drone seja abatido antes. Certamente haverá uma prontidão total devido ao evento. Tocou a sirene com 100.000 pessoas, veremos o mesmo quadro de mortes desnecessárias.
Em minha opinião, qualquer drone lançado naquela direção entre os dias 4 e 5 de maio tem que ser abatido sem que exista o alerta! O alerta poderá matar mais pessoas que um improvável sucesso no ataque. Mas sabemos que a conceptzia, ou misconceptzia de algumas coisas das FDI, impede não soar o alarme “porque o protocolo diz para soar” (e provavelmente é automático, pelo computador).
Eu espero que as FDI e a polícia se preocupem em monitorar o espaço por trás do Meron, impedindo um drone lançado de dentro de Israel. Espero também que os 100.000 hassidim possam reverenciar um de seus principais ícones, sem problemas, como em praticamente todos os anos.
E se você nunca visitou o Meron quando esteve em Israel, vá. Se já foi a Safed, estava quase na esquina.
Por José Roitberg – jornalista e pesquisador
Imagem: ante-entrada da área do túmulo, recorte de imagem da Wikipedia CC 4.0

