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Antissemitismo no Canadá explodiu em 2025 com recorde de 6.800 incidentes

O antissemitismo no Canadá se espalhou como uma metástase em 2025 e atingiu um novo recorde: 6.800 incidentes em todo o país. Isso representa um aumento de 9,3% em relação ao recorde anterior de 6.219 incidentes registrado em 2024.

O relatório anual da B’nai Brith Canada, que monitora esses casos desde 1982, mostra que o país viveu, em média, 18,6 incidentes antissemitas por dia ao longo de 2025.

A grande maioria acontece na internet

Dos 6.800 incidentes:
– 6.248 casos (ou 92% do total) foram de assédio online.
– 299 casos de vandalismo.
– 243 incidentes de assédio no mundo real.
– Apenas 10 incidentes envolveram violência.

É importante entender estes números. Dos 542 incidentes no mundo real, apenas 10 tiveram violência física,

Segundo a organização, o antissemitismo se espalhou e se normalizou na sociedade canadense. Não está mais ligado apenas às tensões no Oriente Médio — ele já faz parte do dia a dia, inclusive em universidades e escolas públicas, onde estudantes e professores judeus se sentem cada vez mais vulneráveis.

Exemplos que chamaram atenção

Entre os casos mais graves destacados estão:
– A profanação do Memorial Nacional do Holocausto em Ottawa por um ex-advogado da cidade.
– Vandalismo em duas sinagogas em Halifax, com grafites antissemitas.
– A pichação “Kill all Jews” (“Matem todos os judeus”) em um prédio da Universidade McGill, em Montreal.
– Um ataque físico em um parque de Montreal, onde o solidéu (yarmulke) de um homem judeu foi jogado em uma poça.
– Uso de imagens nazistas para depredar materiais de campanha de candidatos judeus durante as eleições federais de 2025.
– Interrupção de um evento pró-Israel em uma universidade de Toronto.

As autoridades canadenses também desarticularam um plano terrorista de apoiadores do Estado Islâmico, inspirado em um ataque que matou 15 pessoas durante uma celebração de Hanukkah na Austrália.

Reação da comunidade judaica

O Canadá tem cerca de 400 mil judeus — a quarta maior comunidade judaica do mundo. Líderes da comunidade alertam que o país pode estar caminhando para um ataque de maior escala.

O CEO da B’nai Brith Canada, Simon Wolle, disse que o relatório deve servir como um “despertar”: “O antissemitismo é uma crise nacional e precisa ser tratado como tal. O ódio e o extremismo ameaçam a democracia e a sociedade civil canadense, e não apenas a comunidade judaica.”

A organização pede uma abordagem de “todo o governo” — envolvendo os três níveis (federal, provincial e municipal) e as forças de polícia — para combater o extremismo.

O que vem pela frente?

O relatório da B’nai Brith reforça que o antissemitismo já não é um problema pontual. Ele se tornou parte da vida cotidiana no Canadá e exige ação urgente das autoridades.

Muitos na comunidade judaica canadense esperam que o governo trate essa questão com a seriedade que ela merece, antes que os números continuem subindo.

O Canadá adota a definição da IHRA e quem imagina que isso possa conter a escalada do antissemitismo, está errado. Talvez seja o melhor exemplo. https://www.canada.ca/en/canadian-heritage/services/canada-holocaust/antisemitism/handbook-definition-antisemitism.html

A cada ano a notícia é a mesma: “Nível de antissemitismo no Canadá é o mais alto da história”, significando que ele só aumenta, ano após ano.

Você pode acessar o relatório completo em inglês neste link https://leagueforhumanrights.ca/

Imagem: colagem feita com imagens de incidentes antissemitas divulgadas no relatório da B’nai Brith do Canadá

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.