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Irã reage como esperado e a guerra retorna

Nos últimos dias a retórica de lideranças no Irã tem endurecido de uma forma completamente absurda. Afirmaram que o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz pertence a eles a milhares de anos desde o Império Persa original.

Na visão absurda atual iraniana, que não existia antes de 28 de fevereiro, pelos tais milhares de anos, aquilo lá é um lago dentro do Irã e não existem outros países “válidos” na região. Omã, Catar EAU, Bahrein, Kwait, Arábia Saudita e até mesmo o Iraque não tem direito às águas e aos portos.

Quem não quiser compreender este discurso de supremacia muçulmana xiita, sobre o mundo muçulmano sunita, não compreenda. Os xiitas são 15% do mundo muçulmano e os sunitas são 85%. Estes 15% hoje estão abolindo os direitos dos 85%. Não vê quem não quer ver.

Numa das propostas para o fim da guerra, os xiitas já tinham “determinado”, que os países sunitas deveriam prender seus cidadãos que publicaram contra o Irã na guerra e os entregar ao Irã para serem julgados e provavelmente condenados a morte por “travar uma guerra contra Allah (Deus)”. Nunca houve tamanha arrogância na história das guerras. O lado absolutamente perdedor, exigindo que o lado vencedor entregue à forca quem escreveu ou falou contra o inimigo. Óbvio que uma lida rápida nesta exigência é respondida com um “vão para pqp”… “Não”, não é suficiente neste caso.

Nesta segunda-feira no início da manhã, outra decisão arrogante: foi exigido que todos os navios que estão nos portos ou nas águas dos EAU saíssem de lá. Como se o Brasil exigisse que os portos atlânticos da África fossem esvaziados. É só estupidez e arrogância.

E os navios atenderam, por incrível que pareça. E parece bullyng de escola, quando um agressivo grita exigindo que outra criança lhe dê seu lanche e fique com fome, e a criança dá, ou invés de meter um chute no saco do colega agressivo.

Após os navios cumprirem e saírem, o Irá mandou uma saraivada de mísseis 10 mísseis balísticos, 3 mísseis de cruzeiro e 10 drones contra os EAU. Publicou vídeo mostrando os lançamentos e horas depois publicou que quem atacou os EAU foram os EUA. Cópia do que fizeram diversas vezes nos 60 dias anteriores de guerra: atacam e acusam o inimigo de ter se auto-atacado (termo que sequer existe).

O êxito deste ataque foi UM IMPACTO!!! 4%, só 4%… Dos 10 drones, 100% foram abatidos, talvez já pelos canhões a laser que Israel mandou para os EAU. Dos 4 mísseis de cruzeiro, um caiu no mar (25% de taxa de falha) e os outros 3 foram abatidos, talvez pela bateria do Iron Dome que opera nos EAU desde o início da guerra.

O Irã disse também que atacou um destroier americano e o atingiu. Notícia só aceita pela Xinxua, agência de notícias chinesa. Atingir uma nau da classe Arleigh Burke, que é uma base flutuante de mísseis de ataque a defesa própria e de outros navios, é praticamente impossível. Finalmente estes destroieres vão entrar em combate no cenário de defesa de outras embarcações para o qual foram projetados.

Por outro lado, a flotilha de lanchas rápidas iranianas com armamento pífio, foi reduzida de 40 para 33 já no primeiro dia. Sete estão no fundo dos aiatolás.

A noite já vai alta lá no Irã. Duas da manhã quando este artigo estava sendo escrito. Um dos vociferadores da Guarda Revolucionária, declamou, ainda durante a tarde que “nesta noite o mundo verá uma ação iraniana sem precedentes”. Por enquanto, não fizeram nada. Em uma hora e meia, às três e meia da manhã no Irã começa o horário preferido para iniciar os ataques aéreos.

Essa era a armadilha

Pela legislação americana vigente o presidente pode realizar operações militares de até 60 dias sem pedir autorização do Congresso. Ou seja, pode atacar. A operação foi oficialmente terminada no dia 60.

Ao enviar dois destróieres para dentro do Estreito de Ormuz para escoltar navios para sair de lá Trump deixou ao Irã a inciativa do único caminho que os xiitas tomariam, apesar de existirem dois caminhos: ou não faziam nada e passavam ao mundo um atestado de que não controlavam o que afirmavam controlar, ou atacavam os navios americanos.

De fato, atacaram EAU, Oman, um navio sul coreano e um dos destróieres americanos sem o atingir. Isso, não apenas é muito mais que uma quebra óbvia de cessar-fogo, mas ao atacar um navio americano, isso ativa outro protocolo jurídico nos EUA: os Estados Unidos foram atacados.

Poder do Presidente (Art. II da Constituição): Como Comandante-em-Chefe, o presidente pode atuar unilateralmente em casos de defesa própria imediata (repelir um ataque em andamento contra forças ou território americano) ou para proteger interesses vitais em emergências graves, sem aprovação prévia do Congresso. Isso inclui respostas proporcionais a ataques diretos contra navios de guerra americanos.

Limitação do Congresso: Qualquer ação que configure “hostilidades” prolongadas exige autorização congressional (AUMF — Authorization for Use of Military Force) ou declaração de guerra. Sem isso, aplica-se a War Powers Resolution:

a) Um ataque iraniano direto a um navio de guerra dos EUA fortalece significativamente a base legal para uma resposta imediata e proporcional do presidente, como ação de autodefesa (self-defense). Isso se enquadra na autoridade inerente do Comandante-em-Chefe, sem necessidade imediata de novo voto do Congresso.

b) Não reinicia automaticamente um novo prazo de 60 dias completo para uma campanha ampla. A resposta inicial pode ser rápida e limitada (ex.: ataques retaliatórios contra alvos iranianos envolvidos). Se escalar para operações prolongadas ou ofensiva maior, volta a valer o limite dos 60 dias a partir da nova notificação.

As novas exigências do Irã

São mais estapafúrdias do que todas até o momento. Explica que a taxa de 2 milhões de dólares para um navio passar por Ormuz, se refere a custos de monitoramento, segurança do navio e proteção ambiental. Segurança tipo máfia: se você não pagar quebramos sua vitrine e depois as suas pernas.

Mas aumentaram as restrições. Nenhum navio “sionista”, se é que isso existe poderá passar. Nenhum navio inimigo do Irã poderá passar. Os navios dos países sunitas do Golfo só poderão passar se os países (que foram atacados pelo Irã) paguem indenizações de guerra ao Irã (que os atacou)…

Isso não é semelhante ao dia 14 de novembro de 1938, quando o governo de Adolf Hitler, multou a comunidade judaica alemã, em 1 bilhão de marcos (sem hiperinflação) pelos danos causados às propriedade alemãs, que o governo da Alemanha Nazista incendiou. É igual.

Por José Roitberg – jornalista e pesquisador

Imagem: foto oficial de divulgação da agência IRNA iraniana. É com estas lanchinhas ridículas que o Irã pretende impedir o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Uma metralhadora de 14,5 mm e um lançador de foguetes não guiados de 90 mm. É meio impossível acertar disparos de metralhadora pesada ou lançar estes foguetes com 1,5 kg de explosivos contra navios. E mesmo que usem estas armas os danos seriam mínimos. Alguns outros modelos de lanchas transportam apenas soldados com fuzis e metralhadoras mais leves.

José Roitberg

José Roitberg é um jornalista brasileiro e pesquisador em história, formado em Filosofia do Ensino sobre o Holocausto, pelo Yad Vashem de Jerusalém.