SE ME ESQUECER DE TI, OH JERUSALÉM, QUE MINHA DESTRA PERCA A DESTREZA
5 da tarde, verão escaldante, estamos filmando e contando a história de Jerusalém. Marcel Berditchevsky, produzindo e guiando; José Gertzensztein, filmando; e eu, dirigindo os trabalhos.
Chegamos à Cidade Santa, pela manhã, às 8, com o verão dando o ar quente da graça.
O Kotel, Mea Shearim, a Cidade Velha com os bairros árabe, armênio, cristão e judeu, os céus da cidade vistos de cima, as figuras mirabolantes dos homens de longos vestuários negros, chapéus de pele aos 40 graus à sombra, as escavações que contam a vida judaica na área há 3 mil anos, as preces pelo bem do Brasil, de Israel e de nossas famílias, o schnitzel no almoço, o artesanato e as obras de arte, o shuk e tudo o que estará no nosso filme AS BELEZAS DO ESTADO JUDEU, que será apresentado em outubro, no Rio, em avant-première.
Durante muitos anos, tive uma certa dificuldade com a cidade santificada, em função da política manipulada pelos chamados Haredim (ultraortodoxos), que não estavam, por vontade própria, à disposição da defesa do país.
Hoje compreendo a enorme importância deste grupo de judeus que, pela presença, pelos estudos e até pela luta para garantir ideias que voaram do século XVI até este minuto em que, na rua principal do bairro de Mea Shearim, estou concentrado, escrevendo minhas experiências do momento.
A verdade é que, sem dúvida alguma, os Haredim, assim como eu, fazemos parte inequívoca e indivisível do povo do Livro.
Já há alguns anos tenho tido um olhar positivo sobre Jerusalém.
O rei Davi tinha cem por cento de razão quando transformou Jerusalém na capital do Reino de Israel.
E, agora, estou declarando minha rendição à JERUSALÉM DE OURO.
Você que estará comigo na estreia deste nosso novíssimo filme, vai aplaudir o que estou afirmando, pois o material que estamos produzindo está nivelado com a Cidade de David.
É apenas e tão somente ouro em pó!
Enfim, SE EU ME ESQUECER DE TI, OH JERUSALÉM, QUE MINHA DESTRA PERCA A DESTREZA!
Ronaldo Gomlevsky

